MEMORIAL DE UM SUJEITO DE MALÍCIA
Jaime Collier Coeli
R$ 54,00 /un
Scortecci Editora - Contos - Formato 14 x 21 cm - 1ª edição - 2021 - 48 páginas
Descrição
Scortecci Editora - Contos - Formato 14 x 21 cm - 1ª edição - 2021 - 48 páginas
Memorial de Um Sujeito de Malícia
Jaime Collier Coeli
O autor preparou-se para enfrentar a pandemia em total isolamento: separou muitas dúzias de ovos, uma frigideira pronta para ser esquentada e untada com manteiga. Também arrumou vareta de bambu para mexer o mexido. Marcado o dia “D”, trancou as portas e então percebeu que seu aparelhamento de cozinha limitava-se ao telefone. Durante mais de ano gastou a maior parte do tempo encomendando pratos feitos e exibindo o cartão bancário pelas frinchas da porta. O tempo restante correu tentando ordenar a coleção de anotações sobre os mais diversos assuntos que, em oitenta e três anos de vida, derramou sobre arremedo de escrivaninha. Por fim, concluiu que passara oito décadas apurando o alcance da máxima manda quem pode e obedece quem tiver juízo. Felizmente, alcançado esse ponto, a pandemia começa a receber doses de vacina, completa-se a ordenação das anotações e o mundo, mais uma vez!, exibe robustez de combatente heroico contra os males da civilização, enfim! salva. Resta, agora, decidir como e quando retornar ao club de entretenimento civilizatório, observados os protocolos fixados pelas práticas consuetudinárias. O que se deve dizer na sociedade para ser taxado de cidadão conveniente e amável mas não tachado de desabusado, para quem todas as crenças são iguais, todas as negações, todas as atitudes. A opção mais popular consiste em saborear pratalhazes de ambrosia, à maneira de Miconos, ainda que o cidadão só tenha direito a ingresso no piscinão de Ramos, que outrora, mais extenso, atendia por Maria Angu, vetusta praia do palácio de São Cristóvão, atual museu incinerado.
Memorial de Um Sujeito de Malícia
Jaime Collier Coeli
O autor preparou-se para enfrentar a pandemia em total isolamento: separou muitas dúzias de ovos, uma frigideira pronta para ser esquentada e untada com manteiga. Também arrumou vareta de bambu para mexer o mexido. Marcado o dia “D”, trancou as portas e então percebeu que seu aparelhamento de cozinha limitava-se ao telefone. Durante mais de ano gastou a maior parte do tempo encomendando pratos feitos e exibindo o cartão bancário pelas frinchas da porta. O tempo restante correu tentando ordenar a coleção de anotações sobre os mais diversos assuntos que, em oitenta e três anos de vida, derramou sobre arremedo de escrivaninha. Por fim, concluiu que passara oito décadas apurando o alcance da máxima manda quem pode e obedece quem tiver juízo. Felizmente, alcançado esse ponto, a pandemia começa a receber doses de vacina, completa-se a ordenação das anotações e o mundo, mais uma vez!, exibe robustez de combatente heroico contra os males da civilização, enfim! salva. Resta, agora, decidir como e quando retornar ao club de entretenimento civilizatório, observados os protocolos fixados pelas práticas consuetudinárias. O que se deve dizer na sociedade para ser taxado de cidadão conveniente e amável mas não tachado de desabusado, para quem todas as crenças são iguais, todas as negações, todas as atitudes. A opção mais popular consiste em saborear pratalhazes de ambrosia, à maneira de Miconos, ainda que o cidadão só tenha direito a ingresso no piscinão de Ramos, que outrora, mais extenso, atendia por Maria Angu, vetusta praia do palácio de São Cristóvão, atual museu incinerado.